Nova criação do conceituado coreógrafo Rui Horta dia 20 de Março no Teatro Virgínia
Inspirado no livro ‘As Cruzadas vistas pelos Árabes’, do escritor libanês Amin Maalouf (Prémio Goncourt em 1993), “As Lágrimas de Saladino” é uma peça sobre a ética e a compaixão no uso do poder.
Uma peça de grande dimensão que contará com sete excepcionais bailarinos, um dj, quatro músicos e uma banda filarmónica.
Mais tarde ou mais cedo, o vento voltará a soprar. E voarão casas, árvores e os corpos dos mais leves e incautos. Voarão em estilhaços os nossos sonhos, bem como as portas que deixarão os nossos celeiros vazios. Depois, voltará a calma e o único ruído que se ouvirá será a dança das moscas. Vai custar a perceber porque é que tanta coisa que amávamos desapareceu sem deixar rasto.
Quando o aleatório das intempéries passa para o controlo dos homens, há tempestades tais que eclipsam o Sol para sempre e varrem tudo da face da Terra, mesmo as plantas mais agrestes. No entanto, alguns (poucos) homens souberam usar esse poder das tempestades.
“Saladino entrou em Jerusalém numa sexta-feira, 2 de Outubro de 1187 (o 27 de Rajab, do ano 583 da Hégira), no próprio dia em que os muçulmanos festejavam a viagem nocturna do Profeta a Jerusalém.
Entrou em Jerusalém e, após 91 anos de sangrenta ocupação pelos combatentes cristãos do Ocidente, dá ordem aos seus emires e soldados para pouparem a população, os combatentes, evitar a pilhagem e o massacre, guardando os lugares de culto e anunciando que todos aí poderão rezar quando o desejarem.
Ele próprio passa de um santuário ao outro, chorando, rezando e prosternando-se, num acto de compaixão sem precedentes na história da humanidade.” Amin Maalouf