“A arrogância nunca foi boa conselheira do ser humano.
Por isso, quando a adversidade lhe bate à porta,
logo se torna tão vulnerável como o mais tímido dos mortais!”
 
Estaleiro de Alqueva – 30 de Julho de 1999
Autor: Henrique de Penaguião
 
A “GERINGONÇA” E O MILAGRE DO DÉFICE - 2016
 
( PROPAGANDA MALABARÍSTICA OU REALIDADE VIRTUAL? )
 
Quando se trata de difundir boas notícias aos portugueses sobre o seu país, já há muito se constatou que António Costa e seus camaradas são exímios propagandistas. Seja nas televisões, nos jornais ou nas rádios, aproveitam todas as oportunidades possíveis para badalar as suas pequenas ou grandes vitórias quase até aos limites da exaustão! Mas logo correm a esconder-se dos média, ou lhes falam por imperceptíveis monossílabos, sempre que as coisas não lhes correm de feição. A este tipo de comportamento ético/político poderíamos chamar “manha” ou mesmo habilidade saloia.
 
Os socialistas sempre detestaram aqueles que ousam dizer as verdades, acerca da sua deriva governativa. Sócrates, por exemplo, detestava os noticiários e os comentários televisivos de Manuela Moura Guedes ou de Mário Crespo. Não descansou até ao dia em que conseguir ver-se livre destes dois incómodos comunicadores. O falecido economista e comentador televisivo Medina Carreira era um estorvo para muita gente, sobretudo para as hostes socialistas. O seu abundante savoir fair no campo da Economia, e a sua elegância linguística (misturados com alguma sarcástica, mas engraçada verrina…), soavam como pontas de fogo no dorso de certos políticos da nossa praça! Teodora Cardoso, Coordenadora da Comissão de Acompanhamento e Supervisão do Orçamento de Estado é outra das personalidades mal amada pelos socialistas! Não gostam mesmo nada dos seus conselhos e pontuais avisos, acerca de certos desvios à navegação orçamental. Certamente que muitos portugueses ainda se recordarão daquela célebre triste frase dita há uns anos a esta parte por Jorge Coelho: “Quem se mete com o PS, leva”! Será que os socialistas têm mesmo este esquisito tique, então propalado por aquele seu camarada partidário?
 
Muitos de nós, portugueses, bem conhecemos estes péssimos hábitos ancestrais de certas figuras do PS. Na própria Casa - (leia-se Assembleia da República); - local onde deveriam explicar muito bem a respectiva acção política e o rumo das suas linhas governativas, fazem invariavelmente tábua-rasa das incómodas perguntas dos deputados da Oposição. Em contrapartida, passam horas a gabar-se dos seus feitos (por vezes minudências) e das suas efémeras glórias! Tudo o que está bem feito neste país é apenas obra sua. Aquilo que está mal, a eles nunca diz respeito. O crescimento económico somente a eles se deve.
 
Entretidos que andam a exaltar os seus grandes feitos nacionais e internacionais, já nem se recordam daquelas palavras ditas pela ex-ministra das Finanças Maria Luís Albuquerque, quando no Parlamento anunciou que tinha cofres cheios!... Este Governo nem ao menos tem a hombridade de reconhecer, que Passos e Gaspar nos esmagaram de forma brutal, pondo quase fim à chamada classe média, para os deixar agora paulatinamente a colher o leite… e o mel, oriundo dessa mesma brutalidade!
 
A famosa “lenda” dos 2% de Défice Orçamental/2016, espalhafatosamente divulgada ao mundo inteiro e arredores…, não deixa de ser outra mistificação malabarística desta “gerinçonça” política liderada pelos socialistas. Com efeito, desde os já longos anos a esta parte de governações democráticas, nunca os défices divulgados pelos vários governos foram coincidentes com a verdadeira realidade orçamental do nosso País. Sempre se constatou haver a posteriori diferenças de dois ou três pontos percentuais, em relação ao anunciado, e, por vezes, até quase o dobro desses mesmos valores estatísticos!
 
Por isso, é bem provável que o tal Défice recentemente apresentado não ande longe desta realidade. Com efeito, se Mário Centeno não tivesse nos últimos três meses daquele ano cortado - (ele diz cativado) quase mil milhões de euros nos vários ministérios; se tivesse pago as dívidas dos fornecimentos aos serviços de Saúde e da Educação; e se tivesse ao menos atenuado as enormes dívidas das empresas de transportes Públicos, para onde iria esse mesmo défice? Parafraseando o ex-primeiro-ministro António Guterres, quando se baralhou ao falar dos valores que dispunha para o financiamento da Educação, logo fleumaticamente se virou para os jornalistas e lhes disse: “Façam vocês as contas”!
 
Apetece-me dizer aqui e agora, que esta”estória” das tais “gorduras”? orçamentais, cirurgicamente retiradas aos serviços Públicos pelo sagaz ministro Centeno - o tão propalado “Ronaldo” das finanças, tem uma certa semelhança com aquela espécie de aventura ocorrida nos meus tempos da juventude, protagonizada pelo moleiro Zacarias e o seu robusto burro. Esta simpática personagem era proprietária de um dos vários moinhos existentes no curso do rio Corgo, ali por terras de Penaguião. Como qualquer outro moleiro daquela época, tinha como meio de transporte para as respectivas lides um animal de carga, por sinal um bonito burro, de dupla pelagem, alcunhado de “trovão”.
 
Como dieta alimentar diária, havia-lhe Zacarias fixado 5 kg de Milho e 5 atados (feixes) de ervas ou vides, provenientes das podas das videiras. Mas, como por vezes não batia bem certo das ideias - (fruto de uns copitos de sumo das cepas, que pelo caminho ia bebendo) – teve a péssima ideia de querer poupar alguns escudos com a alimentação do pobre jerico! Decidiu gizar um “maquiavélico” plano, no qual consistia em reduzir 1 kg de milho e um atado de vides ou ervas todos meses, até chegar ao mínimo de alimento a dispensar ao referido animal. Acontece que, fruto do drástico corte da tal dieta inicial, logo ao 2.º mês o burro já tropeçava e caía por terra, sobretudo quando carregado. Só se punha em pé à base de fivelada ou chibatada.. Chegado que foi o 4.º mês, data em que se preparava para lhe atribuir apenas 1 fracção de cada um dos alimentos anteriormente mencionados, deu então Zacarias com o seu burrico morto, estendido dentro do exíguo estábulo, que lhe servia de abrigo! Perante o macabro cenário encontrado, mesmo assim não deixou o simpático moleiro de cantar meia vitória pela sua iniciativa. Por fim, de pé frente ao infeliz animal, em sinal de respeitosa reverência e algum pesar, exclamou o referido moleiro: “Ah! Foi por pouco! Apenas mais um mês e teria o meu “trovão” a trabalhar para mim, sem precisar de comida”!
 
É certo que António Costa e Mário Centeno não chegaram a “matar” o País, ao contrário do moleiro Zacarias, que acabou por perder o seu burro. Mas espremeram o orçamento da Força Aérea, ao ponto de, segundo nos dizia a imprensa, ter ficado nos limites com os níveis de gasolina para os seus aviões.
 
Apertaram o cinto ao Exército, que nem dinheiro tinha para mandar consertar a rede da vedação do quartel de Tancos, onde se deu aquele risível assalto! Garrotearam financeiramente certas repartições Públicas, levando-as, entre outras falhas, à escassez de papel e toner para fazer funcionar as impressoras, etc., etc.
 
É caso para dizer:: - “Com artimanhas destas, nem é preciso ser santo para se fazerem milagres!