( … E O DIABO SEMPRE APARECEU A ANTÓNIO COSTA! )
 
 
“O excesso de “ego” é uma forma de loucura.
E o contrário é santidade”
 
In Aforismos e Ensaios Filosóficos, de
 
Joaquim Braga – Filósofo autodidacta português
 
Há vários ditados populares que de algum modo se assemelham bastante com o subtítulo deste artigo jornalístico que neste prestimoso jornal aqui vos deixo, caros leitores. Um deles diz-nos assim: “Não cuspas para o ar que o cuspo te pode cair na cara”! Um outro há, com idêntico significado sociológico, que também nos diz: “Quem semeia ventos, colhe tempestades”!
 
Vem isto a propósito de uma certa conversa fiada ultimamente muito usada na Assembleia da República pelo primeiro-ministro António Costa. Quando lhe faltam argumentos para dar respostas aos deputados da oposição, nomeadamente do PSD, acaba quase sempre por invocar a figura do Diabo! Este “remoque” de mau gosto do PM, como bem se lembrarão os meus estimados leitores, refere-se nada mais, nada menos, àquela tirada política que Passos Coelho então dirigiu ao Governo num determinado debate parlamentar. Desconfiado como muitos portugueses da séria robustez desta “geringonça” governativa, sentenciou então o líder do PSD mais ou menos as seguintes palavras: - “Meus amigos, com este tipo de governação o diabo não tardará a chegar” – Fim de citação.
 
Com tal afirmação, certamente que Passos Coelho quereria dizer que esta solução política meteoricamente orquestrada na Assembleia da República, por António Costa, e com a prontíssima cumplicidade do Bloco de Esquerda e do PCP teria em breve os dias contados. Por isso, sempre que nos debates parlamentares há necessidade de dar respostas às incómodas perguntas do principal líder da oposição, socorre-se invariavelmente o PM daquela frase de Passos Coelho, e atira-lhe: “Os senhores estão sempre à espera do diabo, mas o vosso grande problema é que o diabo não aparece”!
 
É bem notório que António Costa não perde quase uma única visita ao Parlamento, para repetir este slogan até à exaustão. E até nos dá a entender que pensa assim em voz alta: “O diabo é surdo e mudo, pois não virá para me derrubar deste “poleiro”! Agora, perante a gravíssima catástrofe ocorrida em Pedrógão Grande e outros enormes fogos que por aí devastam o país, para além do ridículo roubo do material de guerra nos paióis de Tancos, é bem possível que o PM já tenha batido várias vezes na boca, e já se tenha mesmo arrependido de tantas vezes ter invocado o nome do indesejável mafarrico! Mas é já tarde para arrependimentos de tão negras invocações, visto que o Diabo chegou mesmo ao seu insistente chamamento, e lhe bateu à porta com tal estrondo, cuja violência ultrapassou bem de longe quaisquer catástrofes nacionais destes últimos séculos!
 
Digo que é tarde para arrependimentos, mas não tenho a certeza se o PM está mesmo verdadeiramente arrependido! Do meu ponto de vista, qualquer governante com o verdadeiro sentido de Estado e de responsabilidade, não teria feito certamente aquilo que António Costa fez, um ou dois dias após aquela horrível tragédia! Ao invés de tomar a lição desse grande Estadista que foi Marquês de Pombal, que na devastação do terramoto de Lisboa logo saltou para o terreno, ordenando que se socorressem os feridos, enterrassem os mortos, se reprimissem as pilhagens e se reconstruísse a cidade noutros moldes construtivos, António Costa preferiu rumar a outras mais luxuriantes e verdes paisagens. Partiu com a família para umas tranquilizantes férias, salvo erro nas paradisíacas praias de Palma de Maiorca, estendeu tranquilamente a cabeça na areia, como se nada por aqui tivesse acontecido, deixando ao abandono um país em chamas e em lágrimas, prostrado perante umas dezenas de vidas ceifadas no infernal braseiro!...
 
Bem pode o ministro Pedro Marques vir pintar belos cenários para a televisão, dizendo-nos que tudo estava a ser feito como devia, mas aquela incómoda carta dirigida ao PR, por uma senhora atingida por aquela calamidade, na qual pedia aflitivamente auxílio psicológico e ajuda para as despesas do funeral do seu familiar, acaba por desmentir categoricamente as palavras do referido ministro!
 
Ateste-se, ainda, e segundo nos dizia a comunicação social, que uns dias após a tragédia de Pedrógão Grande, uma das primeiras medidas tomadas pelo PS, partido que encabeça esta “geringonça”, foi a de mandar fazer um estudo de opinião pública, a fim de testar a sua popularidade nacional. Esta incrível e célere iniciativa demonstra-nos bem a ganância do poder dos socialistas, e a insensibilidade sócio/humana deste governo. É claro. O poleiro está sempre em primeiro!
 
Moral da “estória”: Não invoques muitas vezes o diabo, por que mais cedo ou mais tarde te poderá cair em cima”!
 
 
Alfredo Martins Guedes 28.07.2017